Honmon Butsuryu-Shu – Porto Alegre

“Perfeição não é fazer tudo certo é haver equilíbrio em tudo”

Conto Budista: O Despertar da Fé

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Conto Budista
O Despertar da féNeste país, se mandassem citar alguém famoso certamente diriam (Baddai). Baddai e sua irmã eram considerados muito ricos. Porém, o tanto que tinham de dinheiro também tinham de mesquinhos. Que eles eram avarentos até as crianças do reino sabiam.
Buda, várias vezes, tentou se aproximar desses dois para pregar-lhes os ensinamentos, mas para não terem que ofertar nada ao Buda sempre se esquivavam. Tinham sentinelas que informavam quando Buda ou seus discípulos se aproximavam e, sabendo da aproximação, fugiam pelos fundos.
Certo dia os discípulos de Buda, Kashou, Anan e Mokuren, quando peregrinavam em meio à multidão encontraram Baddai e gritaram:

– Sr. Baddai somos discípulos de Buda, por favor, oferte-nos um pouco de comida!
Baddai, surpreendido pensou:
– Esses monges me encontraram, agora terei que ofertar algo a eles.

Esses três são respeitados por todos e muitos estão observando minha atitude.
Pensando assim, com muita má vontade, ofertou três bolinhos de comida a cada um.

Representando os três discípulos Mokuren disse:

– Para demonstrar nossa gratidão, ensinar-lhe-ei uma forma de ofertar sem ter que gastar dinheiro.

Baddai respondeu:

– Oba! Se houver alguma forma de ofertar, sem gastar, só terei vantagens. Diga logo.
– A forma que existe de ofertar, sem gastar dinheiro, é ofertar o Darma, ou seja, propagar os ensinamentos de Buda e converter as pessoas. A virtude dessa oferta Dármica é superior a qualquer outra. É a que mais alegra o Nobre Buda.

Baddai alegrou-se muito ao ouvir isso, pois o que lhe importava era não gastar seu dinheiro. Pensou (se for assim eu posso).
Logo no dia seguinte colocou em prática a orientação de Mokuren.
Passou a reunir, todos os dias, seus funcionários para pregar-lhes o Darma e assim ia convertendo-os.
Por outro lado outro discípulo de Buda, Hinzuru, ainda passava dificuldade para receber alguma oferta (ofusse) da irmã de Baddai. Quando Hinzuru chegou à casa da irmã de Baddai ela estava acabando de preparar alguns motis (bolinhos de arroz) e pediu-lhe.

– Por favor, oferte-me um moti.
Essa irmã em termos de (mão de vaca) era tanto quanto Baddai. Ela respondeu:
– Não tenho nada para dar aos outros, por favor, vá embora. Entretanto, quando as pessoas viram que o respeitado Hinzuru pedia alguma oferta logo se aglomeraram para ver a reação da irmã de Baddai.

(Não tem jeito, terei que ofertar algo senão o vexame será maior) – pensou ela. Então resolveu ofertar o menor bolinho de todos, só que estava tão cega pela avareza que, por mais pequeno que fosse, ainda achava grande.
Naquele momento, percebendo a dificuldade que ela passava, Hinzuru sugeriu:

– Buda não mente.
Convidarei Buda para que venha até aqui e a Sra. dirá a Ele: (Ofereço-lhe o menor de meus bolinhos). Certamente Ele escolherá o menor.

A irmã de Baddai ainda pensou:

(Deve ser verdade. Sei que Buda só prega a verdade e que não me enganará, assim escaparei do prejuízo).
Buda veio e a irmã de Baddai ofertou-lhe um bolinho. Buda sabia qual era o sentimento da irmã de Baddai e disse:

– Esse deve ser o menor de todos, ficarei com esse.

A irmã de Baddai então pensou:

(Realmente Buda não mente. É um mestre verdadeiro. Se eu tivesse escolhido teria saído no prejuízo).
Concluída a ação, a irmã de Baddai recolheu rapidamente os bolinhos que restaram para não ter que ofertar nada a mais para ninguém.
Buda elogiou o esforço dos quatro discípulos.

– Mesmo com má vontade, Baddai e sua irmã acumularam a virtude da oferta. Além disso, Baddai, seguindo as orientações de Mokuren, passou a girar a roda do Darma. Converteu as pessoas e sua irmã.

Sua irmã, movida pela ambição de querer mais para si e querer ter a certeza desse resultado, passou a acreditar em Buda. Mesmo que o gesto seja pequeno ele caracteriza o despertar e o início da fé. Portanto, deve ser valorizado.
O fato do (unha de fome) Baddai e sua irmã (mão de vaca) terem sido capazes de ofertar algo a Buda, e seus discípulos, ficou famoso em todo o país. O rei, alegre pela atitude de Baddai e sua irmã, presenteou-lhes.
Baddai e sua irmã, com os presentes nas mãos, sorridentes exclamaram: – Vou converter mais pessoas!

– Na próxima vez, vou dar dois bolinhos!
Jornal Butsuryu N 292 abril 1984

Autor: Honmon Butsuryu-Shu

Blog para divulgação do Budismo Primordial da HBS - Honmon Butsuryu-Shu em Porto Alegre, RS - Brasil. Nosso Twitter @HBS_PortoAlegre

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